“Suspeito que, se alienígenas viessem à Terra, seria como pesquisadores: biólogos, antropólogos, linguistas, ansiosos por compreender o funcionamento peculiar da vida na Terra, para conhecer a humanidade e aprender sobre nossa arte, música, cultura, línguas, filosofias e religiões.”
Aqui está uma pergunta que me fascina desde criança: estamos sozinhos neste universo? Lembro-me de estar deitado na grama à noite no meu quintal, olhando para milhares de estrelas e pensando — não há NENHUMA maneira de sermos os únicos aqui fora. O universo é simplesmente grande demais.
Mas será? Esse pressentimento é sustentado por alguma ciência ou é apenas o nosso cérebro de macaco projetando esperança em um céu vazio?
É exatamente isso que Aliens: The World’s Leading Scientists on the Search for Extraterrestrial Life aborda. Editado por Jim Al-Khalili, este livro reúne cientistas de renome de diferentes áreas para responder a uma das perguntas mais antigas da humanidade. E devo dizer — algumas das respostas NÃO são o que você esperaria.
Somos os Únicos?
Existe a probabilidade de sermos a única forma de vida inteligente em toda a nossa galáxia. Existe também a probabilidade de podermos ser a única forma de vida inteligente neste universo. Esta ideia baseia-se num capítulo inspirador do livro, que descreve a série de eventos extremamente improváveis que levaram à evolução e ao desenvolvimento tecnológico da nossa espécie.
Pense nisso. A distância certa do sol. Um campo magnético forte o suficiente para nos proteger da radiação cósmica. Uma lua gigante estabilizando nossa inclinação. Tectônica de placas reciclando carbono. Uma extinção em massa que eliminou os dinossauros e abriu as portas para os mamíferos. Cada um deles é um lançamento de dados — e acertamos o jackpot em TODOS eles.
Remova qualquer uma dessas condições e você não terá humanos. Você terá uma rocha sem vida ou, na melhor das hipóteses, algumas bactérias agarradas a uma fonte termal.
A Vida Foi Burra por Muito Tempo
Afinal, foram necessários cerca de 13,7 bilhões de anos para que a vida fosse criada em nosso planeta (desde o início do nosso universo até que um macaco sociável começasse a dominar seu ambiente). Mesmo os dinossauros existiram por um milhão de vezes mais tempo que os humanos, mas não eram mais inteligentes do que uma galinha ou um cão comum, caçando e sendo caçados durante toda a sua vida. E na minúscula chance de que tenha existido uma espécie biológica inteligente capaz da mesma tecnologia que a espécie humana — ela, muito provavelmente, foi extinta há muito tempo, em uma galáxia muito, muito distante.
Tendemos a assumir que, se existisse vida inteligente em algum lugar, ela ainda deveria estar por perto. Mas por quê? Espécies são extintas o tempo todo. Civilizações surgem e entram em colapso. A janela na qual uma espécie é inteligente E tecnologicamente capaz pode ser incrivelmente estreita — um piscar de olhos cósmico.
Apenas Bactérias Lá Fora
A ideia mais popular agora é que, se puder haver vida alienígena em outras partes da nossa galáxia, ela será muito provavelmente bacteriana. Permanecerá assim por milhões de anos, a menos que o seu ambiente planetário se torne hospitaleiro — tal como milhões de anos de vegetação subaquática adicionaram oxigênio à nossa atmosfera e mudaram completamente o ecossistema do nosso próprio planeta. E poderíamos potencialmente ser os primeiros.
Podemos não ser apenas raros — podemos ser os PRIMEIROS. A primeira civilização inteligente em toda esta galáxia, talvez até no universo. Isso é ao mesmo tempo humilhante e aterrorizante. Significa que não há ninguém à nossa frente com quem aprender. Nenhum projeto alienígena sobre como sobreviver aos próximos dez mil anos. Estamos escrevendo o manual do zero.
O Fermi Paradox
Um dos conceitos mais fascinantes que o livro explora é o Fermi Paradox. Se o universo é tão vasto e tão antigo, ONDE está todo mundo? A matemática diz que deveria haver milhares, talvez milhões de civilizações inteligentes por aí. No entanto, não vemos nada. Sem sinais. Sem visitantes. Nenhuma evidência.
O livro apresenta várias respostas possíveis, desde a ideia de que as civilizações se destroem antes de alcançarem a viagem interestelar, até à possibilidade de que as distâncias entre as estrelas sejam simplesmente demasiado enormes para qualquer espécie as atravessar. Pessoalmente, inclino-me para a teoria do “Great Filter” — que existe alguma barreira, algum passo na evolução da vida, que é quase impossível de ultrapassar. E esperançosamente, está ATRÁS de nós, não à nossa frente.
Entretenimento e Fatos Reais
No entanto, este livro cobre todos os aspectos relativos a alienígenas: desde a ficção científica criada para entreter, até aos dados brutos, química, biologia, física e astronomia de tudo isso. É bem escrito por diferentes autores, e os capítulos fluem bem de acordo com a categoria de foco (às vezes entretenimento, às vezes história, às vezes teoria e às vezes fatos reais).
O que mais gosto é da ideia simples deste livro.
Ele não tenta convencê-lo de nada. Ele expõe as evidências, as teorias, as probabilidades — e deixa você tirar suas próprias conclusões. Isso é raro na escrita científica popular, e eu respeito muito isso.
Descoberta na Velocidade da Luz
O fato de os cientistas estarem fazendo novas descobertas sobre o cosmos a uma taxa exponencial incrível. A cada poucos anos, teremos aprendido 10 fatos para cada 1 fato aprendido nos poucos anos anteriores, aumentando assim o nosso conhecimento, avanços e compreensão mais rápido do que nunca. Basicamente, nos próximos 5 anos, descobriremos mais do que descobrimos nos últimos 20 anos. A tecnologia que nos impulsionará está sendo atualizada a uma velocidade de tirar o fôlego, por isso este livro é uma introdução ao que entendemos agora, neste exato minuto.
E essa é a parte emocionante. Estamos vivendo na era de ouro da ciência espacial. Se houver algo lá fora para encontrar, estamos mais perto do que nunca de encontrá-lo.
Considerações Finais
Este é um daqueles livros que faz você se sentir incrivelmente pequeno e incrivelmente sortudo ao mesmo tempo. Pequeno porque o universo é absurdamente vasto e somos um grão de poeira flutuando num vazio infinito. Sortudo porque, de alguma forma, contra todas as probabilidades, estamos AQUI. Conscientes. Fazendo perguntas. Lendo livros sobre alienígenas em uma pequena bola azul orbitando uma estrela comum.
Uma leitura obrigatória se você ama a ideia de alienígenas, planetas, ciência e tecnologia. 5/5 Estrelas para o seu nicho.
Obrigado pela leitura.
— Leonidas