“O que mantém a vida fascinante é a constante criatividade da alma.”
Podemos explicar o que acontece após a morte? Existe realmente algo após a morte, como muitas religiões acreditam, ou tudo termina como a ciência ocidental implica?
Estas são as perguntas que assombram a humanidade desde o início. Cada civilização, cada tribo, cada cultura — todas tinham a sua própria resposta. E, no entanto, aqui estamos no século XXI, e AINDA não temos uma resposta definitiva.
Deepak tenta clarificar a nossa visão da morte através das muitas crenças religiosas, culturais e espirituais que existem. Ele não entra necessariamente em cada uma individualmente, mas resume-as nas suas crenças centrais. E o que é fascinante é o quanto elas se sobrepõem — apesar de todas as guerras teológicas e divisões, a maioria das tradições concorda numa coisa: a morte NÃO é o fim.
Near-Death Experiences
Quando pessoas de várias culturas, religiões e crenças foram entrevistadas sobre as suas near-death experiences (geralmente quando são declaradas mortas por um curto período), cada pessoa deu uma perspetiva diferente do que viu.
Os cristãos falaram com Jesus ou viram os portões de pérola, os muçulmanos com Mohammed, os budistas com Buddha, os nativos americanos com os seus respetivos espíritos, os indianos com os seus deuses, e assim por diante.
Até as religiões individuais dividiam-se nas suas crenças: católicos e protestantes teriam, cada um, a sua própria interpretação da sua near-death experience.
Então, o que é que isto nos diz? Ou todos estão a alucinar algo moldado pela sua educação — que é a posição do cético — ou a consciência está a aceder a algo real, mas filtrando-o através da única lente que conhece: a sua própria programação cultural. Chopra inclina-se para a última opção e, honestamente, é difícil descartá-la inteiramente.
Achei esta parte do livro particularmente envolvente porque levanta uma questão em que a maioria das pessoas nunca pensa: se a sua near-death experience é moldada pelas suas crenças, então quanto de TODA a sua experiência da realidade também é moldada por elas? Esse é um caminho que vale a pena explorar por algum tempo.
Consciousness After Death
A questão central, no entanto, é se a consciência humana continua após a morte — depois de alguém ser REALMENTE declarado morto (não apenas uma near-death experience).
Chopra leva-nos, lenta mas seguramente, a perceber que todo o universo possui consciência. Como todo o universo é feito de consciência, quando morremos, a nossa consciência simplesmente continua no vazio.
Agora, serei sincero — é aqui que o livro se torna denso. Se é um materialista estrito, alguém que acredita que a consciência não passa de neurónios a disparar no cérebro, vai resistir fortemente a esta ideia. E eu compreendo isso. Geralmente, sou um leitor que prioriza a ciência.
Mas Chopra apresenta um caso interessante. Ele aponta para a física quântica, para o efeito do observador, para o facto de que, ao nível mais fundamental, a matéria comporta-se de forma diferente quando está a ser observada. Significará isso que a consciência está tecida no próprio tecido da realidade? Ninguém sabe. Mas o argumento é mais convincente do que eu esperava inicialmente.
O que ficou gravado em mim foi a analogia que ele usa — que a consciência é como um sinal de rádio. Quando o rádio se parte, o sinal não desaparece. O recetor foi-se, mas a transmissão continua. Quer acredite nisso ou não, é uma forma poderosa de pensar sobre o que poderemos ser além dos nossos corpos físicos.
The Afterlife Across Cultures
Uma coisa que Chopra faz bem é entrelaçar tradições que a maioria das pessoas trata como completamente separadas. Ele baseia-se no Hinduísmo, Cristianismo, Budismo, Islão e crenças do antigo Egito — e encontra os fios comuns que correm por todos eles.
A ideia da jornada da alma. O conceito de karma ou prestação de contas moral. A crença de que esta vida física é apenas um capítulo em algo muito, muito maior.
Já viajei o suficiente para saber que as pessoas ao redor do mundo têm visões radicalmente diferentes sobre quase tudo — comida, relacionamentos, política, dinheiro. Mas a morte? A morte parece ser o único tópico onde a maioria das culturas converge para uma conclusão semelhante: há MAIS. Seja reencarnação, céu ou a fusão com a consciência universal, o instinto é o mesmo.
Essa convergência ou é a maior coincidência da história humana, ou está a apontar para algo real. Chopra acredita claramente na segunda hipótese.
Absolving of Ego
Finalmente, achei este pequeno aparte bastante interessante sobre a absolvição das nossas crenças, tradições e visões predispostas do mundo — quase uma absolvição do ego:
1. Saiba que se vai identificar com a sua visão de mundo em cada fase do crescimento pessoal.
2. Aceite que estas identificações são temporárias. Nunca será verdadeiramente você mesmo até alcançar a unidade.
3. Esteja disposto a mudar a sua identidade todos os dias. Adote uma atitude flexível. Não defenda um “Eu” que sabe ser apenas temporário.
4. Permita que a sua capacidade de observar silenciosamente sem julgamento substitua a ideia enraizada que procura automaticamente.
5. Quando tiver o impulso de lutar, use isso como um sinal imediato para desapegar. Abra um espaço para que uma nova resposta se desenrole por si mesma.
6. Quando não conseguir desapegar, perdoe-se e siga em frente.
7. Use cada oportunidade para dizer a si mesmo que todos os pontos de vista são válidos, cada experiência valiosa, cada insight um momento de liberdade.
Se já leu alguma das minhas críticas sobre livros de meditação ou mindfulness — como Get Some Headspace — saberá que este tipo de pensamento ressoa profundamente comigo. O ego é o que nos mantém presos. É a voz que diz “Eu estou certo, eles estão errados”. E Chopra argumenta que a própria morte é a dissolução final do ego. Quando o corpo se vai, o “Eu” ao qual nos agarramos vai com ele. O que resta é algo muito maior.
Esse é um pensamento aterrador se estiver apegado à sua identidade. Mas também é incrivelmente libertador se conseguir conviver com ele.
Final Thoughts
Uma leitura interessante, e definitivamente algo que eu não tinha lido antes. Este não é o seu típico livro de autoajuda ou ciência popular. É mais filosófico, mais especulativo e, por vezes, mais exigente para o leitor. Chopra pede que deixe de lado as suas suposições e considere genuinamente possibilidades que a ciência ocidental ainda não explorou totalmente.
Acredito em tudo o que está neste livro? Não. Parte dele parece um exagero, e Chopra ocasionalmente deriva para territórios difíceis de verificar. Mas esse é precisamente o ponto — a morte é o ÚNICO assunto onde ninguém pode reivindicar certeza. E um livro que o obriga a conviver com essa incerteza vale o seu tempo.
Se tem curiosidade sobre consciência, espiritualidade ou apenas quer desafiar as suas suposições sobre o que acontece quando saímos desta vida — compre este livro. 4/5
Obrigado pela leitura.
— Leonidas