A Jogada do Século: Resenha de Inside the Doomsday Machine

A Jogada do Século: Resenha de Inside the Doomsday Machine

Book Review Finance
A Jogada do Século: Resenha de Inside the Doomsday Machine
The Big Short by Michael Lewis Read it on Amazon →
A história de como um punhado de desajustados apostou contra todo o sistema financeiro — e venceu.

“As pessoas em posição de resolver a crise financeira eram, é claro, as mesmas pessoas que não conseguiram prevê-la.”

— Michael Lewis, The Big Short

Existem livros que informam você. Existem livros que divertem você. E existem livros que dão vontade de virar a mesa porque você percebe que todo o sistema financeiro global era mantido por mentiras, ganância e ignorância deliberada.

The Big Short é esse terceiro tipo de livro.

Michael Lewis — de quem eu já era fã por Liar’s Poker e Flash Boys — conta a história da crise financeira de 2008 não pela perspectiva dos banqueiros que a causaram, mas pela perspectiva dos poucos esquisitos que VIRAM O QUE ESTAVA POR VIR e tiveram a coragem de apostar contra todo o mercado imobiliário.

E quando digo “esquisitos”, digo isso com total respeito. Porque pessoas normais não apostam contra a economia americana. Pessoas normais não leem as letras miúdas dos títulos hipotecários. Pessoas normais confiam no sistema.

Esses caras não confiavam em nada.

Michael Burry — O Homem que Leu os Documentos

Vamos começar com Michael Burry. Um gestor de fundos de hedge com Asperger, um olho de vidro e uma obsessão por ler coisas que ninguém mais se daria ao trabalho de ler.

Enquanto todos os bancos de Wall Street estavam empacotando empréstimos hipotecários em títulos e vendendo-os como “investimentos seguros”, Burry fez algo radical. Ele realmente LEU OS DOCUMENTOS HIPOTECÁRIOS SUBJACENTES. Página após página. Milhares delas.

O que ele encontrou? Os empréstimos eram lixo. Hipotecas de taxa ajustável concedidas a pessoas sem renda, sem emprego, sem ativos — empréstimos NINJA. Empréstimos que foram projetados para falhar no momento em que as taxas de juros fossem ajustadas para cima.

E aqui está a parte insana. Ele foi aos bancos de Wall Street e disse: “Quero apostar contra esses títulos hipotecários”. Os bancos literalmente riram dele. Eles ficaram felizes em aceitar o dinheiro dele porque achavam que ele era louco.

Ele não era louco. Ele estava certo. E ele ganhou centenas de milhões de dólares.

Mas a parte que ficou comigo? Até seus PRÓPRIOS INVESTIDORES tentaram retirar o dinheiro porque achavam que ele estava maluco. Ele teve que bloqueá-los. Imagine estar tão certo de que você está correto, e TODOS ao seu redor — seus clientes, os bancos, as agências de classificação, os reguladores — acharem que você perdeu o juízo.

Isso exige um nível de convicção que a maioria das pessoas nunca entenderá.

Steve Eisman — O Furioso Contador da Verdade

Depois temos Steve Eisman. Se Burry é o analista quieto que deixa os dados falarem, Eisman é o barulhento e confrontador insider de Wall Street que não consegue parar de dizer às pessoas o quão estúpidas elas são.

Eisman suspeitava da indústria de hipotecas subprime há anos. Ele viu em primeira mão como os credores estavam distribuindo hipotecas para pessoas que não tinham condições de tomar emprestado, e frequentava conferências do setor abertamente enojado com as pessoas que comandavam o show. O que o tornava convincente é que sua raiva era genuína — ele estava FURIOSO porque o sistema foi projetado para explorar famílias de baixa renda vendendo hipotecas que elas nunca poderiam pagar.

Greg Lippmann e a Máquina de CDO

Greg Lippmann, um trader do Deutsche Bank, era o vendedor do grupo — o cara que apresentava a transação aos investidores enquanto lucrava simultaneamente com ela. Mas o verdadeiro vilão deste livro não é uma pessoa específica. É o CDO — a Obrigação de Dívida Colateralizada.

Aqui está como o golpe funcionava, em termos simples:

1. Os bancos concediam hipotecas a pessoas que não podiam pagá-las.

2. Eles agrupavam milhares dessas hipotecas lixo em títulos.

3. Agências de classificação como Moody’s e S&P davam classificações AAA a eles — a mesma classificação dos títulos do governo dos EUA — por causa da “diversificação”.

4. Quando acabavam as hipotecas lixo, eles criavam CDOs SINTÉTICOS — essencialmente apostas sobre apostas sobre apostas. Pura ficção mascarada como produtos financeiros.

5. Fundos de pensão, seguradoras e contas de aposentadoria em todo o mundo compravam esses investimentos “seguros”.

6. Tudo desmoronou, eliminando trilhões de dólares e milhões de empregos.

As agências de classificação foram o que mais me pegou. Estes são os guardiões. As pessoas cujo TRABALHO INTEIRO é avaliar o risco e dizer aos investidores o que é seguro. E eles classificaram lixo tóxico puro como AAA porque os bancos estavam pagando para que fizessem isso. O conflito de interesses é tão óbvio que chega a ser cômico — exceto que destruiu a economia global.

Por Que Este Livro Foi Diferente Para Mim

Eu trabalho com marketing na internet. Passei anos entendendo como os sistemas funcionam, como os incentivos impulsionam o comportamento e como as pessoas manipulam as regras para ganhar dinheiro.

Ler The Big Short foi como observar a maior e mais elaborada manipulação de sistema na história da humanidade.

Os corretores de hipotecas recebiam por empréstimo, independentemente da qualidade. Os bancos empacotavam o risco e o vendiam. As agências de classificação classificavam o que quer que os bancos pagassem para classificar. Os reguladores não tinham incentivo para intervir — todos estavam ficando ricos.

CADA PESSOA na cadeia era incentivada a manter a máquina funcionando, embora a máquina fosse uma bomba-relógio.

Se você leu The Black Swan ou Fooled by Randomness de Nassim Taleb, já sabe sobre a fragilidade sistêmica e a ilusão de estabilidade. The Big Short é o estudo de caso do mundo real — as teorias de Taleb se desenrolando com nomes reais, valores em dólares reais e consequências reais.

A Parte Que Me Deixou Com Raiva

Quer saber a pior parte? Depois de tudo — depois do colapso, dos resgates, dos milhões de pessoas que perderam suas casas — quase ninguém foi para a cadeia.

Os bancos foram resgatados com dinheiro dos contribuintes. Os executivos mantiveram seus bônus. As agências de classificação mantiveram seus negócios. E o sistema foi essencialmente reconstruído com muitas das mesmas estruturas de incentivo que causaram a crise em primeiro lugar.

Michael Burry, o homem que viu tudo acontecer? A SEC investigou ELE. Não os bancos. Não as agências de classificação. O cara que realmente leu os documentos.

Isso diz tudo o que você precisa saber sobre como o sistema funciona.

Considerações Finais

Michael Lewis é um daqueles raros escritores que conseguem pegar conceitos financeiros incrivelmente complexos e torná-los não apenas compreensíveis, mas genuinamente envolventes. Você não precisa de um diploma em finanças para ler este livro. Você só precisa se importar com a forma como o mundo realmente funciona versus como nos dizem que ele funciona.

The Big Short é uma leitura essencial para qualquer pessoa interessada em finanças, economia comportamental ou em entender como as estruturas de incentivo podem corromper todo um sistema. Leia, fique com raiva e, então, preste mais atenção aos sistemas aos quais você confia seu dinheiro. Avaliação: 5/5.

Obrigado pela leitura.

— Leonidas

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Written by

Leonidas K.

Desde 2010, Leonidas tem sido um incrível Desenvolvedor Web e um extraordinário Especialista em Marketing Digital. Ele é autor de vários estudos de caso fascinantes em marketing digital, especialmente em Marketing Pay Per Call. Não deixe de ler os estudos de caso para melhorar muito a sua vida!

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